The Angry Video Game Nerd

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

He's gonna take you back to the past
to play the shitty games that suck ass.
He'd rather have
a buffalo
take a diarrhea dump in his ear
He'd rather eat the rotten asshole
of a road killed skunk and down it with beer
He's the angriest gamer you've ever heard
He's the Angry Nintendo Nerd
He's the Angry Atari Sega Nerd
He's the Angry Video Game Nerd

A década de 80 foi uma época marcante para o mundo do entretenimento. Pergunte a qualquer pessoa na casa de seus trinta e poucos anos sobre as suas lembranças de infância e com certeza você vai encontrar entre as respostas assuntos como os Thundercats, He-Man, Looney Tunes, Rocky Balboa, Guns n' Roses, Jason e Freddy Krueger e, é claro, Nintendo.

O Nintendo Family Computer ou simplesmente Famicom, foi lançado no Japão no ano de 1983. Redesenhado e rebatizado como Nintendo Entertainment System, ou NES, chegou ao mercado norte americano dois anos depois e foi uma aposta arriscada da empresa japonesa. A indústria dos videogames, que outrora havia experimentado um estrondoso sucesso, se encontrava em meio a uma grave crise e não andava nada bem. Foi graças a coragem da Nintendo e a genialidade do designer Shigeru Miyamoto que o mercado dos games retomou o seu fôlego, cresceu ainda mais e se tornou a gigantesca máquina do entretenimento que vemos hoje. Jogos memoráveis como The Legend of Zelda, Metroid e Super Mario Bros. fizeram a cabeça da criançada da época.

A Nintendo, vendo os zeros na conta bancária aumentarem mensalmente, resolveu inovar e concedeu permissão para que softwarehouses independentes também produzissem jogos para o seu console. Nesse meio surgiram outros games clássicos como Mega Man e Castlevania. E também nesse meio surgiram games dos quais a mínima menção ao nome faz ex-jogadores quererem assassinar toda a família dos envolvidos em sua criação com requintes de sadismo e crueldade.

Sim, meus amigos. Nem só de bons games vivia o mercado. E como a demanda por novos jogos era enorme, muitos picaretas lançavam qualquer porcaria para o NES, pois sabiam que o negócio iria vender. Na época as pessoas ainda não dispunham da internet para conhecer os games antes de jogá-los. O único modo de saber como era o negócio era o método in loco, comprando ou alugando o game. Era frustrante jogar um game horrível logo após comprá-lo por achar que era ótimo. E ainda hoje existem muitos jogos ruins. Mas acreditem, eles não chegam a metade em proporção aos games ruins daquela época. Havia muitos, muitos jogos deploráveis. Games ruins proliferavam. Deixavam jogadores loucos de raiva. Mesas rachadas com socos! Joysticks arremessados em direção as paredes!

Surgia o ÓDIO contra os games ruins!

Ambientado com a época? Chegamos então, ao foco da matéria.

The Angry Videogame Nerd é um personagem criado e interpretado por James Rolfe, um cineasta independente que começou fazendo pequenas produções caseiras desde quando pôs as mãos em uma câmera de vídeo pela primeira vez. A vontade e a paixão do pequeno James se tornaram cada vez maiores e ele então passou a escrever seus próprios roteiros e a filmá-los com seus amigos e suas action figures. Grande fã das comédias malucas dos anos 70 / 80 e dos clássicos do cinema fantástico, James decidiu que fazer filmes era o que queria da vida. Desde então vem produzindo, dirigindo, editando e atuando contra todo o bom gosto e tradição.

O personagem Angry Videogame Nerd - abreviado AVGN ou mesmo apenas Nerd - foi criado por James baseado em sua experiência própria como um entre tantos gamers frustrados com jogos terríveis que foram lançados nessa época. Ele é a síntese perfeita da sensação de se jogar aquelas barbaridades.

AVGN veste uma camisa branca com várias canetas no bolso, usa óculos e joga games horrorosos - shitty games segundo próprio - enquanto faz comentários recheados de palavrões em momentos da mais pura fúria sobre os jogos em questão. Entre um esporro e outro, AVGN se embebeda e se refresca aos goles de sua cerveja preferida, a Rolling Rock.

Reza a lenda que James criou o personagem em 2004, quando no meio de uma de suas produções amadoras, gravou dois reviews de games para NES, "Castlevania 2: Simon's Quest" e "Dr. Jekyll and Mr. Hyde". No primeiro, ele comenta o quanto o game se diferencia da franquia Castlevania, com sua tentativa de parecer um adventure, enquanto se irrita com as passagens ridículas do game como o anoitecer e o amanhecer que quebram a ação do jogo e acontecen a cada cinco minutos. No segundo, ele inicia com um monólogo hilariante alertando o espectador do quão horrível é o game e advertindo-o a manter distancia do mesmo. Chega ao ponto de achar que quem está vendo o vídeo não vai acreditar no que ele está dizendo para então resolver provar jogando o game. Esse é um dos vídeos mais engraçados da saga. Demonstra todo o ódio do personagem AVGN quanto ao jogo em questão com uma incrível verossimilhança pois, apesar de ser um personagem, é a frustração do próprio James que é mostrada na tela. James publicou os reviews em um canal no site You Tube sob o pseudônimo James Nintendo Nerd em abril de 2006 junto com mais um vídeo feito na época para fechar a "trilogia".

"The Karate Kid" já apresenta em sua abertura o nome Angry Nintendo Nerd. Sucesso instantâneo, a brincadeira feita em vídeo dois anos antes de repente se tornara um hit na internet.

Confira nas versões originais:




Foi tanta a aceitação por parte dos saudosistas revoltados, que ainda no mês de abril James viria a gravar e publicar o quarto review, "Roger Rabbit". A partir daí, ele resolveu manter a saga e começar a sequencialmente produzir reviews com o personagem.

"Teenage Mutant Ninja Turtles" foi lançado em junho de 2006. A abertura contava com uma piada sobre os antigos cartuchos de NES que não funcionavam e obrigavam o jogador a limpar os conectores, seja na base do cotonete ou do assoprão mesmo. No mesmo mês de junho foi colocado no ar o review de "Back to the Future", um dos mais lembrados da série. Nesse review, James comenta sobre uma das maiores picaretagens que rolavam na época do NES, jogos baseados em filmes de sucesso que do filme só levavam os títulos, pois o game em si era horrendo.

Setembro de 2006 marca época com o lançamento do sétimo review, "McKids", o primeiro publicado no site da produtora de James, Cinemassacre, o primeiro a contar com a participação de Mike Matei - que se tornaria um colaborador eventual de James - e também o primeiro a iniciar-se com o famoso tema musical tocado e cantado por Kyle Justin, ao qual James compôs a letra e que acabou se tornando alvo de inúmeras versões cover feitas por fãs que pipocaram na internet. A ponto de fazer os próprios James e Kyle se espantarem, já que em um dos vídeos os dois chegam a comentar sobre o que haviam criado. Uma manifestação de pessoas vidradas no tema e, claro, nos reviews.

Setembro também foi palco do lançamento dos reviews de "Wally Bear and the No Gang", Top Gun e Master Chu and Drunkard Hu, com a participação do infame e sem graça Shit Pickle e inaugurando uma das tradições do personagem, a participação de coadjuvantes nos reviews. Em outubro sairiam os reviews de "Double Dragon 3, "The Anger Begins", "Friday the 13th" e "Nightmare on Elm Street".

"The Anger Begins" foi um curioso vídeo mostrando como o jovem James realmente se enfurecia com os shitty games. "Friday the 13th" e "Nightmare on Elm Street" consolidaram a participação de coadjuvantes quando James contracenou nada menos que com Jason Voorhees e Freddy Krueger, ambos interpretados por Mike Matei.



Em outubro foram publicados "Power Glove" - divertidíssimo review sobre o avô do Nintendo Wii - e "The Angry Video Game Nerd is Chronologically Confused about Bad Movie and Video Game Sequel Titles, onde pela primeira vez foi mencionado o nome Angry Video Game Nerd.

Em novembro sairiam "Wii Salute: (History of Video Game Wars) e "Rocky", quando James, devido a questões legais com a Nintendo, mudou de vez o nome do personagem para Angry Video Game Nerd. Também foi a primeira vez em que um jogo de outra empresa - no caso a SEGA - ganharia o seu review.

Em dezembro James inicia outra tradição nos vídeos do AVGN. O especial de natal. "Bible Games" fechou o ano de 2006 com um engraçadíssimo review sobre jogos não autorizados pela Nintendo baseados em histórias da Bíblia. As piadas com os personagens bíblicos são impagáveis.


Os anos seguintes firmaram o que já havia sido mostrado no ano de estréia do personagem. Reviews divertidos e participações de personalidades dos jogos analisados como o Homem-Aranha, o Pernalonga e a Família Addams. Além dos games, James continuou abordando o hardware, produzindo reviews sobre o Atari 5200, o Sega CD, o Sega 32x e o maldito Vitual Boy. E, claro, contando com os especiais de natal também.

James continua publicando os reviews do AVGN, apesar de os vídeos saírem com uma frequência menor do que no início. Alguns acham que o personagem vêm perdendo a sua força, seja por excessivas participações de coadjuvantes ou pela queda no lançamento de novos vídeos, mas a maioria concorda que o AVGN é uma referência para os vídeo reviewers que surgiram na internet. E também colaborou em inspiração para o aparecimento de diversos artistas que produzem vídeos com conteúdo baseado em nostalgia.

James Rolfe é um exemplo de paixão e dedicação aos bons momentos que já se foram, seja como o Nerd ou através de seus filmes e artigos publicados no site Cinemassacre. Um talento criativo e uma alternativa ao humor barato que perdura no cenário mainstream.

Portanto, não deixe de acompanhar os novos lançamentos através do Cinemassacre ou de relembrar uma ótima diversão pelo canal James Nintendo Nerd no You Tube.

3 comentários :

Felipe disse...

verdade, galera! confiram o trabalho do James Rolfe e se divirtam com um ótimo exemplo de conteúdo feito especialmente pra internet.

qdo conheci o AVGN não descansei até assistir o último episódio.

valeu, Edu! grande trabalho trazendo essa lapada sobre a trajetória do nosso heroi!

disse...

Cara, parabéns pelo texto, eu como um fã do AVGN adorei! Realmente o James é um cara de talento, pra conseguri transformar algo chato, que é assistir uma pessoa jogar games horríveis, em entretenimento de primeira. E eu discordo que ele está perdendo a força, ri litros com o review do Super Pitfall!

Anônimo disse...

Também acho que não está perdendo força não. Teve 1 o outro review ruim, mas os reviews de hoje em geral estão ótimos. Sobre a frequência, hoje em dia os vídeos saem com 15 minutos em média, ao contrário dos anteriores que muitas vezes não passavam de 4 minutos.

James Rolfe é um gênio que provou a simples afirmação: na internet, basta ter talento.

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