Freddy Krueger, a pederastia e o sobrenatural.

domingo, 13 de dezembro de 2009


Fato estranho. Costumo ler tantas coisas a respeito de séries de terror dos anos 80, ver tantos vídeos no YouTube, conversar em fóruns e Facebooks da vida e escrever a respeito deles aqui no blog. Curiosamente, esses dias me peguei pensando em um ponto um tanto esquisito: há quanto tempo, de fato, eu não assisto a esses filmes por inteiro. Claro que os clássicos são sempre dignos de serem revisitados, mas e aquelas produções não tão memoráveis assim? Digo como exemplo a franquia A Hora do Pesadelo, que vai de ótimos filmes à verdadeiras porcarias de dar pena. Foi pensando nisso que resolvi entrar em umas de nostalgia revendo essas obras.

A principio, os filmes ainda pareciam como antes: o primeiro é excelente, o terceiro é legalzinho, o quarto também dá para perder um tempo, o quinto é dispensável, o sexto é horroroso (no pior sentido) e o sétimo é, digamos, o segundo melhor. A diferença mesmo aconteceu ao rever A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy. Há um motivo em especial que faz desse filme a peça mais curiosa entre os capítulos da cine série: as "segundas intenções" que o diretor Jack Sholder e o roteirista David Chaskin embutiram na narrativa.

Todo esse clima "alegre" recai sobre a figura do personagem Jesse Walsh, interpretado pelo ator Mark Patton, que, curiosamente, é homossexual na vida real. A primeira cena do longa, sem brincadeiras, é uma de melhores, se não a melhor, cena de pesadelo de toda a saga. Um ônibus escolar vai seguindo pelas ruas normalmente, descarregando os seus passageiros em um dia ensolarado, até que sobram apenas três pessoas dentro dele: duas mocinhas e o tal Jesse. As meninas dão risadas e comentam a respeito do estranho rapaz sentado ao fundo enquanto esse finge não dar muita importância.

Acontece que o motorista surta e sai freneticamente guiando o veículo deserto adentro, para o desespero de seus ocupantes. Relâmpagos cortam o céu escurecido quando o ônibus para no meio do nada e o chão começa a ceder, formando gigantescos pilares de terra com o coletivo equilibrado sobre um deles. Sem ter para onde correr, os três jovens presenciam a revelação de que quem estava ao volante era nada menos do que o assassino Freddy Krueger, que lentamente caminha na direção deles gargalhando sadicamente e esfregando as suas navalhas contra o teto e os bancos do veículo. Uma cena aterradora, diga-se.

Agora, tem algo de errado nisso? Bom, o que você pensaria se entrasse em um ônibus e desse de cara com essa figura:


Sim, meus amigos. É assim que Jesse Walsh é apresentado ao público no inicio do filme: um nerdzinho todo engomado vestindo essa camisa horrorosa. Tanto que não é nada estranho as duas garotas não terem dado a mínima ao pobre rapaz. E olha que era tudo "apenas" um pesadelo, veja bem, antes de ter os seus sonhos ruins invadidos por um psicopata sobrenatural, o Jesse tem a manha de inconscientemente fantasiar que está sendo ridicularizado por duas high-school teens.

E, sejamos francos, em que diabos estaria pensando um diretor de cinema que filma a clássica cena da pessoa despertando com um grito, mas apresentando um marmanjão esperneando como uma scream queen? E ainda inserindo um comentário irônico da irmã mais nova durante um prosaico café da manhã perguntando: "Por que o Jesse não consegue acordar igual a todo mundo?". Ou usar esse mesmo recurso em outras partes do filme ao fazer o sujeito soltar mais alguns gritinhos histéricos?



Enfim, depois de mostrar o jovem Jesse acordando todo suado e levantando da cama de cuequinha, o filme tenta amenizar e nos apresenta Lisa, interpretada por Kim Myers, a suposta namorada do nosso herói. Eu digo suposta porque a guria simplesmente toca a campainha da casa de Jesse, eles trocam um oi e corta para ela dentro do carro dele. Ou seja, ela está apenas serrando uma carona para a escola.

Chegando lá, somos apresentados aos mais controversos personagens do longa: o treinador casca-grossa Schneider (Marshall Bell) e amigo Ron Grady (Robert Rusler), que logo de cara se envolve em uma cena digna de nota. Durante um treino de baseball, Jesse tira uma onda com Grady que não deixa por menos e arranca as calças do rapaz, logo partindo para cima dele. Eles se atracam e rolam pelo chão enquanto puxam as roupas um do outro e são separados pelo treinador Schneider, que os manda "assumir a posição" pagando flexões até não aguentar mais. Durante os exercícios, Grady comenta com Jesse a respeito do treinador dizendo que "ele gosta de garotos bonitinhos como você".

No outro dia, durante uma aula de anatomia, Jesse está sonolento dentro da sala de aula por, digamos, não vir tendo noites muito agradáveis ultimamente, e o amigão Grady resolve dar uma animada colocando uma enorme cobra em volta do pescoço do rapaz, fazendo-o acordar gritando novamente. Jesse toma uma bronca do professor e manda o dedo do meio para Grady com uma expressão impagável.

Logo após isso há uma cena onde Lisa, que mora em bela casa com piscina e tudo mais, recebe uma ligação de Jesse que se prepara para encontrá-la, mas é barrado pelo pai, pois não havia arrumado o quarto. Impedido de sair, ele se irrita e sobe para o aposento batendo o pé na escada para então começar a sua "faxina". O sujeito saca de uma fita K7, coloca no rádio e, bem, é melhor ver por você mesmo:


Pois é, Jesse fecha a gaveta com "bundadinhas"...

E o que dizer dos diálogos entre Jesse e Grady? Há um bem divertido quando os dois estão correndo em uma aula de educação física do treinador Schneider e o Jesse pergunta: "Ei, Grady, você se lembra dos seus sonhos?". O rapaz responde: "Só os molhados".


As coisas vão caminhando bem até que, lá pelas tantas, o filme resolve desistir de deixar tudo implícito e passa a escancarar as "intenções" para o público logo de uma vez. Em uma noite qualquer, Jesse novamente está rolando de um lado para outro na cama e, entediado, resolve sair. De madrugada. Na chuva. De pijama com a camisa aberta. Perambulando, ele encontra um boteco aberto com o sugestivo nome de "Don's Place" que vem a ser, vejam só que curioso, um bar gay.

Jesse entra no recinto e logo chega ao balcão para pedir uma cerveja. É recebido por um atendente vestindo trajes de couro (Bob Shaye, o eterno fundador e produtor da New Line, em uma de suas tradicionais pontas), que dá uma tremenda secada no rapaz enquanto serve a sua bebida. Ele mal tem tempo de dar o primeiro gole quando é agarrado pelo braço. E qual não é a surpresa ao descobrirmos que quem o está segurando é nada menos que o treinador Schneider. Sim, aquele cara machão, de fala grossa, professor sádico, agora está em um bar LGBT também usando roupas de couro e mascando chiclete com uma expressão nada amistosa.


Schneider leva Jesse para a escola e o obriga a dar voltas correndo ao redor do ginásio, com os dois usando aquelas mesmas roupas, a de couro e o pijama. Pouco depois, o treinador manda Jesse para o chuveiro, vai no armário e pega cordas de pular! Suspeito? Nem tanto, pois algo impede que o ato se concretize. Schneider ouve uns barulhos vindo da outra sala e resolve conferir o que se passa. De repente, algumas raquetes sofrem um estranho surto sobrenatural e começam a queimar sozinhas, logo seguidas por bolas de basquete que, inexplicavelmente, se movem para fora de seus lugares. A coisa piora e pacotes de bolas de tênis misteriosamente disparam o seu conteúdo contra o treinador, até a prateleira resolver criar vida atirando tudo o que pode para cima de Schneider.

Lembra das cordas? Pois o feitiço virou e agora elas tem vontade própria, amarrando-se aos pulsos do homem e arrastando-o para a outra sala. Jesse está tomando banho quando os chuveiros também se rebelam e começam a soltar água todos ao mesmo tempo. Schneider é então amarrado pelas cordas no encanamento e tem a sua roupa de couro rasgada, deixando-o nu. Agora é a vez das toalhas criarem vida, saírem voando e chicotearem o treinador na bunda fazendo a mesma ficar toda vermelha. Logo aparece o nosso bom e velho Freddy e dilacera as costas de Schneider em uma cena muito bem feita.

Falando no diabo, você deve estar perguntando como é que alguém escreve um artigo sobre um filme do Freddy Krueger e não diz nada a respeito dele? Bem, o fato é que o vilão chega a ser praticamente um coadjuvante aqui. Uma metáfora para os sentimentos "reprimidos" de Jesse. O objetivo de Freddy seria comandar, ou "possuir", o corpo do rapaz para que este cometesse assassinatos em seu lugar.


Quanto ao sobrenatural do título deste artigo, além de toda a "mensagem oculta" presente no filme e do Freddy Krueger ser um personagem teoricamente "deslocado", este capítulo da série se diferencia por inserir completamente os fenômenos inexplicáveis no contexto da história, fora do mundo dos pesadelos. Algo que havia sido apenas pincelado no filme original.

Para começar, há uma cena ridícula envolvendo a família Walsh na qual Jesse, ao checar a gaiola de pássaros, nota que um deles está morto enquanto o outro sai voando pela sala atacando a todos até simplesmente entrar em combustão espontânea. Isso mesmo. O periquito se desintegra em meio as chamas e as suas penas caem ao redor. Fora que, um pouco antes de Jesse visitar o tal bar, ele dá uma passada pela cozinha de casa e um raio cai pela janela ao lado dele, diretamente nos pratos da pia.

Aqui, as coisas tem uma estranha mania de se incendiarem ou explodirem. Salsichas explodem, latas de cerveja explodem, aquários explodem, lustres explodem, torradeiras pegam fogo, portões se trancam sozinhos, grades e uma piscina sofrem um aumento considerável de temperatura e criaturas infernais são avistadas. Sem contar que em determinada parte Freddy não usa sua clássica luva de navalhas, tendo as mesmas embutidas em seus dedos


Enfim, este filme não é de todo ruim. É muito divertido presenciar essa metáfora de Jesse querendo "sair do armário" representada em Freddy Krueger, com direito ao nosso herói trocando a companhia da "namorada" pela de seu "amigo" Grady, além da clássica cena onde Krueger irrompe de dentro para fora do corpo de Jesse rasgando a sua pele. O diretor Jack Sholder e o roteirista David Chaskin já disseram em entrevistas que essa associação não é intencional, mas fica impossível não ligar os pontos em um roteiro onde a ideia é ter um vilão sobrenatural querendo usar um rapaz, digamos, confuso, como sua marionete.

18 comentários :

amanda disse...

roupitcha de couro? toalhada na bunda? muito fogo?
terror né? tá aí, tenho que ver esse filme.
HEUAHEUHAUEHUAHEUHUAEH

Marcel disse...

Só um comentário a dizer : esses ai são umas bichonas!! heuehueheuheuue

Tava sumido ein, Aurrai o/

Vácuo disse...

é o brokeback mountain com freddy Krugger.

Edu Aurrai disse...

Ow Marcel, verdade cara! Mas é só esse mês, sabe como é, eu trabalho com transportes cara, e como todo mundo resolve comprar tudo ao mesmo tempo em dezembro eu costumo ralar pra carajo. Mas logo acaba. Valeu a visita brother!

Naylinha ;) disse...

'(...)Ele olha para a luva, meio que balançando a cabeça, como se estivesse pensando "ai, me segura, que agora eu vou causar!", hahahaha.' raaaxeei... muito muito bom o post, serviu pra cobrir um pouco da sua divida por sumiço com nós pobres e viciados leitores!rs Nunca tinha parado pra presta atenção no filme em geral, e principalmente no Jesse, ams agora você falando, não tem como negar, a cena do quarto só faltou ele ter colocado 'I will survive' e aquela coisa na mão dele, huum, éé, digamos que é um pouco suspeita né?! um brinquedinho talvez? hahaha ;x ele tava se realizando (se joga beesha)... sem duvidas o melhor post e o pior filme... Parabens Duu *-* e ve se não nos abandona! rs

renan disse...

Tenso haushuahsuahsuhs

Diogo Oliveira disse...

HAHAHAHAHA preciso rever essa perola!

Anônimo disse...

pior que assisti esse filme esses dias. e de Fato depois que li isso aqui tive certeza que nao era só eu que tinha percebido KKK' mto boom mesmo !

Edu Aurrai disse...

Obrigado colega. =]

Evandro Sal disse...

Rapaz, seu texto foi surpreendente para mim, talvez por nunca dar a devida atenção a esta continuação dA Hora do Pesadelo, e olha que fizemos um cast super legal sobre a saga nesta semana, analisamos os filmes e o personagem Freddy, mas nem damos muita atenção ao filme 2, gostaria que voce postasse o seu link em nossos comentários para dividir com nossos ouvintes seu artigo, que ficou muito bom.
VAleu, um abraço do Evandro Sal do sextameianoite.com

Edgar Cavalera disse...

Plágio de Boca do Inferno!

Edu Aurrai disse...

Opa! Obrigado!

Gabriel disse...

Esqueceu da cena em que Jesses estava "quase l´" com a Lisa, e foi embora pra dormir com o amiguinho Grady. Impagável kkk

Anônimo disse...

adoroooooooooooooo. é a minha parte preferida. nessa parte eles realmente escancara até demais. eu mesmo q sou gay achei tudo mtooo exagerado. e por isso mesmo q é superrr gostoso...kkkkkkkkkk

e o mundo é gay, nao s e preocupe. pena é tão vergonhoso ter q admitir isso.

Anônimo disse...

a dancinha do jesse ( q é bem comedia) parece com as dancinhas dos comediantes style 'se beber nao case', fazendo dancinhas ao longo do filme...e olha q eles se dizem heteros hein...

Jeanphilipe disse...

Que ost fajut e tendencioso...

Ninguem disse...

 Eu tenho 12 anos assiti esse filme não notoi tudo isso so que estranhei o casal. Bem que eu achei o filme estranho não parece um filme da franquia.

Ailsonjr_92 disse...

O pior da série! Filme gay demais

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