Review: Jogos Mortais VI

sexta-feira, 20 de novembro de 2009



Olá, caros amigos e amigas. Como prometido, hoje iremos analisar o sexto capítulo da franquia Jogos Mortais. Na já antiga primeira impressão vocês puderam ter uma idéia do que esperar dessa sequência, então creio que agora não será necessário avisar que o artigo está recheado de spoilers violentos, não é mesmo? Advirto apenas que passarei a me referir a série pelo nome original, Saw, que convenhamos, é bem mais bacana.

Pois bem, vamos lá.

Saw VI é uma produção que lhe deixa eufórico e vibrante após a primeira exibição se você for um admirador da franquia, principalmente pela excelente sequência final. Entretanto, são perceptíveis alguns equívocos após uma segunda visita. E isso não significa que o resultado como um todo tenha sido prejudicado, pois estamos diante de um episódio da série que se de fato fosse o derradeiro a fecharia de forma honrosa, consolidando com méritos o seu espaço no hall da fama das grandes franquias de horror. Há toda uma ambiência focada em resolver os assuntos pendentes nos filmes anteriores. Bem condizente com o que o co-roteirista Marcus Dunstan já havia declarado em entrevista.

Bom, comecemos com o mais aguardado pelos fãs que é o conteúdo da carta endereçada a Amanda em Saw III. Primeiramente, atribuíamos sua autoria ao próprio Jigsaw. No quarto filme, depois de revelado que Hoffman também era um cúmplice, é mostrado que na verdade foi o próprio detetive quem a escreveu. O quinto episódio nem se preocupou em lembrar que a tal epístola existia e agora em Saw VI, nós finalmente descobrimos o que havia na carta. Hoffman simplesmente sabia de um terrível segredo guardado pela aprendiz de John Kramer. Na fatídica noite em que a clínica para recuperação de dependentes químicos administrada por Jill Tuck foi invadida, Cecil estava acompanhado de Amanda. A tentativa de assalto foi diretamente incentivada por ela e, como todos sabem, acabou resultando na morte prematura de Gideon, filho de John e Jill. Aparentemente, Cecil e Amanda buscavam dinheiro para financiar seu vício em drogas.

Outra ponta solta - que o quinto filme também fez questão de ignorar - envolve a fita destinada a Hoffman encontrada durante a autópsia em Saw IV. O agente Peter Strahm já nutria a suspeita de que Jill Tuck estaria de alguma forma colaborando com os crimes do ex-marido, hipótese que se confirma neste sexto filme, relacionando a mulher de Jigsaw com a gravação deixada ao detetive. Jill o visitava regularmente e não só sabia da participação de Amanda e Hoffman como também foi incumbida por John de terminar o seu trabalho. Em suma, o sexto filme dá a entender que Jill era a pessoa que ele mais amou e confiou na vida. E esse sentimento culmina na explicação do grande mistério que Saw V deixou pendente, que era o conteúdo da caixa deixada por Jigsaw. Nela, havia as últimas instruções para um jogo destinado a testar uma vítima em especial. E é na figura dessa pessoa que temos a grande contribuição de Saw VI para a franquia.

William Easton, interpretado pelo excelente Peter Outerbridge, é o presidente de uma corretora de seguros apresentado na trama como um sujeito que realmente não dá valor a vida. E o que é pior: não a sua própria, mas as de outras pessoas. Ele é responsável pela decisão final quanto a liberação do dinheiro das apólices e mantém uma equipe dedicada em encontrar qualquer desvio na vida do segurado que o impeça de receber o benefício. Segundo a sua filosofia, o valor de uma pessoa é medido pelo quanto ela pode sobreviver para ter uma vida longa e saudável, diferente de quem deve morrer e garantir um lucro maior à seguradora. Pela primeira vez nos filmes da série estamos presenciando um jogo mortal envolvendo um sujeito que, indiferentemente do julgamento de Jigsaw,  é um verdadeiro canalha e merece ser punido. Isso dá credibilidade à história, inserindo uma crítica social aos moldes das que George Romero sempre implementou em seus filmes de zumbis. Saw VI mostra como as companhias de seguros não se importam com as pessoas simplesmente decidindo quem vive e quem morre, independente da opinião do governo ou dos próprios segurados. 

É claro que a crítica sempre fez parte da franquia, visto que até a motivação do vilanesco personagem pode ser interpretada como um ataque a aqueles que vivem reclamando da vida ou tomam atitudes que atentem contra sua própria existência, porém, dessa vez, ela é mais incisiva e incluída no contexto da história. Além da morte do filho e do câncer terminal, foi na negação de seu direito ao seguro que John Kramer resolveu bolar um plano para perpetuar o seu legado, mesmo após sua morte. Na caixa entregue a Jill, ele deixa instruções para que alguns dos funcionários da seguradora sejam sequestrados por Hoffman e atirados no grande jogo da vez, centrado em Willian Easton que, caso falhe nas tarefas, nunca mais poderá ver sua família. Ao menos é o que diz Jigsaw, onde ao invés de deixar o costumeiro gravador com sua tétrica voz ditando as regras, resolve aparecer em vídeo e provar ao desafortunado corretor que os mortos realmente podem voltar para assombrar os vivos.



No meio tempo, temos a investigação do FBI acerca da suspeita que Hoffman queria emplacar envolvendo Strahm nos crimes de Jigsaw, inclusive trazendo de volta a agente Perez que acreditávamos estar morta desde o quarto capítulo. 

Aproximar a história da realidade é outro dos acertos da produção, com direito a John Kramer ganhando várias aparições na mídia e sendo tratado como um dos maiores serial killers da história. Pense bem, se Jigsaw fosse um assassino do mundo real, você provavelmente veria uma infinidade matérias sobre ele nos meios de comunicação. Outra abordagem bem sacada é mostrar como o FBI usa de vários meios e de toda a sagacidade para investigar o caso Jigsaw, aproximando-se cada vez mais de Hoffman e fazendo o espectador acreditar que o cerco realmente está se fechando. A qualquer momento, o recém promovido tenente poderá ser desmascarado. Portanto, a revelação de que a morte da agente Perez foi planejada para protegê-la dá a entender que não era só Strahm que estava desconfiado de Hoffman no quinto filme. Possivelmente, o agente Dan Erickson também compartilhava o mesmo ponto de vista e ambos sabiam que Perez estava viva. Ou o Strahm mentiu ao afirmar que as últimas palavras ditas pela agente foram o nome do tenente Hoffman. 

E, falando nele, de fato, Costas Mandylor não segura a onda de jeito nenhum. Fico impressionado com o tanto de gente dizendo que ele melhorou muito neste filme. A bem da verdade, o ator continua com a mesma expressão fechada e biquinho de Michael Keaton. A cena em que ele é descoberto e demonstra toda a sua habilidade ninja ao dar cabo de Erickson, Perez - olha o FBI deixando de ser burro para ficar descuidado - e da analista de áudio é uma das melhores do filme e mesmo assim ele ainda não convence. A vantagem é que Hoffman finalmente se firma na franquia, porém simpatizava-me bem mais com o trabalho do ator Mandylor quando o personagem ainda não fazia parte do esquema de Jigsaw e era apenas um policial como os outros.

O desfecho de Saw VI é espetacular. Atrevo-me a afirmar que a sequência final é a melhor em toda a saga depois do filme original. Está tudo no seu devido lugar. Temos a reviravolta surpresa, a clássica "Hello Zepp Theme" e o famoso flashback recontando todo o filme que é tradição desde o Saw original. Entretanto, desta vez, ele tem uma razão de existir na explicação do final que remete a algumas cenas do início do filme, incluíndo eventos relacionados que não foram mostrados e ficaram implícitos. Ou seja, o flashback é parte do entendimento da história e, pela primeira vez na franquia, não está ali apenas para dizer: "Está vendo idiota? Essas eram as partes em que você deveria estar prestado atenção!". 

A grande surpresa também é satisfatória, mesmo assemelhando-se muito com a do terceiro Saw. Neste sexto episódio, a mãe e o filho presos na sala por Hoffman, os quais acreditávamos serem a família de Willian Easton, na verdade eram parentes de uma das vítimas da política mesquinha de escolher quem poderia receber o benefício do seguro, e ali ganham a chance de vingar a morte de seu ente querido. A família do personagem de Outerbridge é a repórter sensacionalista Pamela Jenkins, interpretada por Samantha Lemole, que - só Deus sabe por que - também estava presa no recinto onde aconteciam os testes. Para fechar, Jill Tuck prende Hoffman em sua cadeira e cumpre a última instrução deixada por John. Na caixa-póstuma também estava a famosa "armadilha de urso invertida", usada em Amanda no primeiro filme, que agora deveria ser colocada em Hoffman para que finalmente fosse realizado o "teste", mencionado na fita encontrada no estômago de Jigsaw ao final quarto episódio. 

Você pode afirmar que esta é uma armadilha inescapável como aquelas que Amanda preparava, mas o próprio longa mostra que existe uma forma de se libertar, tanto que Hoffman termina por conseguir fugir do jogo mesmo tendo a sua boca dilacerada. Um grito misto de dor, ódio e vitória do tenente, seguido dos créditos finais, encerra essa sexta parte da saga.

Perfeito. Para os fãs e para as pessoas que aceitarem a conclusão sem questionar a validade de algumas ideias como, por exemplo, as explicações das pendências dos filmes anteriores. Será que os roteiristas já as tinham em mente ou as situações simplesmente foram inventadas para encher linguiça e agora arranjaram uma desculpa qualquer para solucioná-las? E sim, estou me referindo à carta da Amanda. Esperamos três anos querendo saber o que diabos tinha de tão impressionante na missiva a ponto de ter deixado a guria tão transtornada, e a solução encontrada parece simplesmente ter saído daquele mesmo lugar de onde o sol não bate. 

É sim um grande choque saber que por sugestão da ex-viciada é que Cecil resolveu tentar assaltar a clínica, mas que diferença faria o Hoffman contar a um moribundo pé-na-cova que a sua preciosa aprendiz (que por detrás dos panos também estava sendo sacaneada testada por ele) estaria envolvida na morte de seu filho? O que ele iria fazer? Matá-la no ato? Jill Tuck a mataria posteriormente? Hoffman a mataria uma semana depois? Jigsaw também já saberia por isso deixou a pistola para o Jeff e este sim seria o teste de Amanda? Por que Hoffman queria Lynn Denlon morta? Não sei. Apesar de ser uma ótima alternativa ainda gerou muitas dúvidas a respeito. E algumas conclusões, como a possibilidade de Amanda ser tão dedicada a John simplesmente por estar arrependida de ter matado o seu filho. E, cá para nós, desde que assisti Saw pela primeira vez já me parecia um tanto fraco o primeiro "teste" da Amanda, visto que qualquer um naquela situação abriria a barriga do cara sem titubear. Queria ver se fosse que nem o Michael em Saw II. Se ela realmente precisasse se automutilar para fugir da armadilha, será que reagiria da mesma forma? Em Saw VI temos um bom exemplo de que não dá para ficar muito feliz sendo obrigado a realizar tamanho sacrifício e sobreviver para contar a história.



Outro ponto a se considerar: todas aquelas pessoas que estavam no jogo de Willian Easton realmente mereciam morrer? Digo, tudo bem que aqueles do carrossel ajudavam no esquema criminoso mesmo sabendo das consequências, mas e aquele faxineiro? Morreu só por que fumava? E aquela secretária? E aquele rapaz que tirava cópias? Só porque trabalhavam no mesmo lugar onde o insensível Willian trabalhava? Parece uma extrema banalização da motivação de Jigsaw. Eu realmente senti que algumas daquelas pessoas não tinham motivos para estarem nas armadilhas, diferente de Saw III, onde cada um teve envolvimento direto na morte do filho de Jeff e na absolvição do culpado.

Ah, quer saber? É melhor não tentar procurar tantos furos e ligações, pois mesmo com o roteiro absurdo, conforme eu havia comentado naquela quase declaração de amor à franquia, a série manteve a coerência e o respeito ao seu público, com uma produção que fez jus a toda história criada em cima de um pequeno filme independente, que jamais teria idéia de até onde chegaria. E ainda sobraram algumas pontas deixadas nesse sexto episódio, como o pacote que Jill colocou para dentro de um quarto de hospital ou o destino de Hoffman. 

Por fim, Saw VI se mostra uma ótima diversão. Tenso na medida certa e não se apoiando exclusivamente nas cenas sangrentas, tanto que nem houve necessidade de mencioná-las no artigo. Mesmo desejando que este fosse o encerramento da saga, ainda esperemos que Saw VII volte a nos surpreender no ano que vem. 

7 comentários :

Joyce disse...

me empolguei mais com os seus comentarios do q com o treiler concerteza o enrredo do filme deve ser muito bom , mas o q nao me atrai sao cenas de sague sacrificios como os dos personagens isso me deixa inquieta m faz sentir no lugar deles o q nao é bom como se eu podese sentir oa dor deles msm sendo um filme. Bobeira né mas fazer o q né nem sempre fui assim quando eu era mais nova era doida por esse tipo de coisa masacres e tudo mais no fundo era um pouco mal sintia um prazer inconparavel em ver alguem sendo mutilado ou possuido e por isso prefiro ao ver mais .

TAIS MOREIRA disse...

Bom...Seu post foi muito bom, mas...discordo de vc, com relação ao Costas Mandylor. Pra mim, ele está muito bem em "SAW VI", sim. Se não fosse verdade, muita gente (MUITA GENTE, MESMO) não diria isso. Pra mim, ele calou a boca desse povinho que vive criticando-o. Mas enfim, cada um tem a sua opinião...hehehe
Beijos

Edu Aurrai disse...

Taís, então, não consigo mesmo me simpatizar com o trabalho dele. Aquela hora que ligam pra ele e ele diz: "I'm on my way", conseguiu ganhar até do Robocop, rs

Obrigado pelo comentário e volte sempre. =]

TAIS MOREIRA disse...

Eu discordo, vc queria que ele fizesse o quê? O Hoffman é um personagem frio, e o Costas o fez muito bem (no 6, principalmente). Quem já viu outros trabalhos dele (como eu, por exemplo), sabe que o cara realmente se esforçou muito para se superar nesse e ele conseguiu. Tanto que eu não sou a única pessoa a falar, muita gente concorda com isso.
E outra: se for assim, então a Shawnee Smith tb não é lá essas coisas, porque ela, em "SAW III", na cena em que ela briga com o John ,antes de matar a Lynn, foi muito forçada, né? XD
Mas enfim...como eu disse, cada um tem a sua opinião.^^
Se quiser, comente no meu blog, tb, ok?
Beijos

Diogo Oliveira disse...

A serie voltou a velha forma.Veja meu mini-review aqui:

http://caveabovethemansion.blogspot.com/2009/11/short-reviews-saw-6-e-besouro.html

TAIS MOREIRA disse...

Valeu por comentar no meu blog!^^
Então, vc tb é de São Bernardo? Pô, legal!^^
Pode deixar que voltarei auqi, sim. Sucesso com o seu blog! Beijos

Larissa disse...

Olha eu acho que a única coisa que o roteirista se perdeu foi que John quando pegou o Hoffman disse que para ele toda vida era sagrada e por isso que ele dava oportunidade de suas vitimas sobreviverem e renascerem, só que por que ele pegou tantas pessoas inocentes, sendo que o faxineiro praticamente ele nem deu a oportunidade dele sobreviver, e além do mais ele estava lá só por que fumava, até o Jogos Mortais 3 as coisas fazem mais sentido ,não é só sangue por sangue tudo tem uma lógica as pessoas que estavam ali não eram pessoas tão inocentes, depois disso parecia que as pessoas eram mortas por nada.

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