sábado, 12 de dezembro de 2009

Freddy Krueger, a pederastia e o sobrenatural.




Fato estranho. Costumo ler tantas coisas a respeito de séries de terror dos anos 80, ver tantos vídeos no YouTube, conversar em fóruns e orkuts da vida, escrever a respeito deles aqui no blog e esses dias curiosamente me peguei pensando em um ponto um tanto esquisito, há quanto tempo de fato eu não assisto a esses filmes por inteiro. Claro que os clássicos são sempre dignos de serem revisitados, mas e aquelas produções não tão memoráveis assim? Digo como exemplo a franquia A Hora do Pesadelo que vai de filmes excelentes à verdadeiras porcarias de dar pena. Foi pensando nisso que resolvi entrar em umas de nostalgia revendo essa série - até para poder publicar alguma coisa por aqui - e mandei importar todos os episódios da saga do titio Freddy. A principio, os filmes ainda pareciam como antes, o primeiro é ótimo, o terceiro é legalzinho, o quarto também dá para perder um tempo, o quinto é dispensável, o sexto é uma droga e o sétimo é, digamos, o segundo melhor. A diferença mesmo aconteceu ao rever A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy. Há dois motivos em especial que fazem desse filme a peça mais estranha entre os capítulos da série. O principal deles são as "segundas intenções" embutidas na narrativa. Não sei o que o diretor Jack Sholder e o roteirista David Chaskin tinham em mente ao produzir a sequência, mas, Senhor, como é gay esse filme! Sério, há anos atrás quando o vi pela ultima vez não me atentei - ou não tinha maldade o suficiente na cabeça para perceber - a esse detalhe. Nada contra o lado rosa da força, muito pelo contrário, cada um na sua, mas creio que o aspecto não pega muito bem em um filme de horror. Ainda mais sendo a continuação de um sucesso como A Hora do Pesadelo.

Todo esse clima "alegre" recai sobre a figura do personagem Jesse Walsh, interpretado pelo ator Mark Patton, que, vejam só, é gay na vida real. A primeira cena do longa, sem brincadeiras, é uma de melhores, se não a melhor, cena de pesadelo em toda a saga. Um ônibus escolar vai seguindo pelas ruas normalmente, descarregando os seus passageiros em um dia ensolarado até que sobram apenas três pessoas dentro dele, duas mocinhas e o tal Jesse. As meninas dão risadas e comentam a respeito do estranho rapaz sentado ao fundo enquanto esse finge não dar muita importância. Acontece que o motorista surta, não para no ponto em que uma das garotas iria descer e sai freneticamente guiando o veículo deserto adentro, para o desespero de seus ocupantes. Relâmpagos cortam o céu escurecido quando o ônibus para no meio do nada e o chão começa a ceder ao redor formando gigantescos pilares de terra com o coletivo equilibrado sobre um deles. Sem ter para onde correr, os três jovens presenciam a revelação de que na verdade quem estava ao volante era nada menos do que o assassino Freddy Krueger, que lentamente caminha na direção deles gargalhando sadicamente e esfregando as suas navalhas contra o teto e os bancos do veículo, projetando um destino nada agradável ao passageiros. Uma cena aterradora, diga-se. Agora, tem algo de errado nisso? Bom, o que você pensaria se entrasse em um ônibus e desse de cara com essa figura:



Sim meus amigos. É assim que Jesse Walsh é apresentado ao público no inicio do filme. Um nerdzinho todo engomado vestindo uma camisa horrorosa e que fatalmente seria confundido com um EMO nos dias de hoje. Tanto que não é nada estranho as duas garotas não terem dado a mínima ao pobre rapaz. E olha que era tudo "apenas" um pesadelo, veja bem, antes de ter os seus sonhos ruins invadidos por um psicopata sobrenatural, o Jesse tem a manha de inconscientemente fantasiar que está sendo ridicularizado por duas high-school teens e nem ao menos liga para isso. Ok, não é estranho o suficiente, você me diz. Pesadelos são incontroláveis, você me diz. É completamente normal chorar feito um bebê quando se está prestes a ser esfolado por alguém coberto de horríveis cicatrizes com quatro navalhas enormes em uma das mãos, você me diz. Mas seja franco, em que diabos estariam pensando um roteirista e um diretor de cinema que filmam a clássica cena da pessoa despertando com um grito apresentando a um marmanjão espernear como uma scream queen e inserindo um comentário irônico da irmã mais nova durante um prosaico café da manhã familiar perguntando ao pai e a mãe: "Por que o Jesse não consegue acordar igual a todo mundo?". E o pior, usar esse recurso em outras partes do filme ao fazer o sujeito soltar gritinhos histéricos nas situações em que deveria demonstrar desespero e aflição. Não acredita? Pois confira alguns trechos dos "ataques" do menino:


Eu não podia deixar de comentar, repare nesse último take que o Mike Patton dá tipo uma preparada antes de soltar a franga. Ele olha para a luva, meio que balançando a cabeça, como se estivesse pensando "ai, me segura, que agora eu vou causar!", hahahaha.

Voltando ao foco, depois de deixar o espectador com um pé atrás ao mostrar o jovem Jesse acordando todo suado, levantando da cama de cuequinha e dando aquela arrumada no pinguelo, o filme tenta amenizar e apresenta Lisa, interpretada pela gracinha Kim Myers, suposta namorada do protagonista. Eu digo suposta porque a guria simplesmente toca a campainha da casa do cara, eles trocam um oi e corta para ela dentro do carro dele, ou seja, ela está apenas serrando uma carona para a escola. Chegando lá, somos apresentados aos mais controversos personagens do longa, o treinador casca-grossa Schneider (Marshall Bell) e companheiro de aventuras Ron Grady (Robert Rusler) que logo de cara se envolve em uma cena bisonha. Durante um treino de baseball, Jesse tira uma onda com Grady que não deixa por menos e ARRANCA AS CALÇAS do rapaz para logo depois pular para cima dele. Então, o que se vê é a briga mais homossexual entre dois homens na história dos filmes de horror, já que eles se atracam e rolam pelo chão enquanto puxam as roupas um do outro. São separados pelo treinador Schneider que os manda "assumir a posição" pagando flexões até a não aguentar mais. Durante os exercícios, Grady comenta a respeito do treinador para Jesse dizendo que "ele gosta de garotos bonitinhos como você". No outro dia, durante uma aula de anatomia, Jesse está sonolento dentro da sala de aula por, digamos, não vir tendo noites muito agradáveis ultimamente, e o amigão Grady resolve dar uma animada colocando uma enorme cobra em volta do pescoço dele fazendo-o acordar gritando novamente. Jesse toma uma comida de rabo do professor e manda o dedo do meio para Grady com uma expressão impagável, só vendo para crer. Logo após isso há mais demonstrações de virilidade do nosso protagonista. Lisa, que mora em uma puta casona com piscina e o escambau, recebe uma ligação de Jesse que se prepara para encontrá-la, mas é barrado pelo papai pois não havia arrumado o quarto. Impedido de sair, ele fica todo irritadinho, sobe para o aposento batendo o pé na escada e chega lá resmungando para então começar a sua "faxina". Cara, eu não sei como comentar essa cena. Sério. É simplesmente uma das coisas mais constrangedoras que alguém já teve a coragem de enfiar em um filme de terror. O sujeito saca de uma fita K7, coloca no rádio e, bem, é melhor ver por vocês mesmos:


Porra, ele fecha a gaveta com BUNDADINHAS! Dá para ser mais gay que isso?

Mas enfim, se existem cenas desse naipe, o que dizer dos diálogos entre Jesse e Grady? Parecem aqueles casaizinhos com um cara mala e uma menina burrinha sabe? Quando o cidadão fala o que puder para irritar a garota e ela fecha a cara emburrada dando risada logo depois? Pois é, temos várias dessas pérolas por aqui. Tipo quando os dois estão fazendo cooper em uma aula de educação física do treinador Schneider e o Jesse questiona ao Grady se ele se lembra de seus sonhos. O rapaz responde: "Só os molhados", unnnn sei.

Mas o pior ainda está por vir. Acho que os produtores devem ter se cansado de deixar tudo implícito e resolveram escancarar a viadagem para o público logo de uma vez. Em uma noite qualquer, Jesse novamente está rolando de um lado para outro na cama e, entediado, resolve sair. De madrugada. Na chuva. E de PIJAMINHA com a camisa aberta. Perambulando, ele encontra um boteco aberto com o sugestivo nome de "Don's Place" que vem a ser, exatamente senhoras e senhores, um bar gay! Jesse entra no recinto e o espectador é agraciado com a visão de toda a sorte de rapazes alegres, incluindo dois trocando umas bitocas, enquanto o nosso protagonista chega ao balcão para pedir uma cerveja. É engraçado que o camarada que o atende é uma típica bichona, de trejeitos e tudo, que dá uma tremenda secada no Jesse enquanto pega sua bebida. Ele mal tem tempo de dar o primeiro gole quando é agarrado pelo braço. E qual não é a surpresa ao descobrirmos que quem o está segurando é nada menos que o treinador Schneider! Sim, aquele cara machão, de fala grossa, professor sádico, agora está em um bar GLS vestido com roupas de couro, mascando chiclete e fazendo cara de "vou comer seu rabo". Schneider leva Jesse para a escola e, vai vendo, o obriga a dar voltas correndo ao redor do ginásio com os dois usando aquelas mesmas roupas, a de couro e o pijaminha. Pouco depois, o treinador manda Jesse para o chuveiro, vai no armário e pega cordas de pular! Cara, ele falou para o sujeito ir tomar banho e foi pegar cordas! Bondage na cara dura! Mas não, ufa, algo impede que o ato se concretize. Schneider ouve uns barulhos vindo da outra sala e resolve conferir o que se passa. De repente, algumas raquetes sofrem um estranho surto sobrenatural e começam a queimar sozinhas logo seguidas por bolas de basquete que inexplicavelmente se movem para fora de seus lugares. A coisa piora e pacotes de bolas de tênis misteriosamente disparam o seu conteúdo contra o treinador até que a prateleira resolve criar vida e atirar tudo o que pode para cima de Schneider. Lembram das cordas? Pois o feitiço virou e agora elas tem vontade própria amarrando-se aos pulsos do homem e arrastando-o para a outra sala. Jesse está tomando banho e cobrindo os peitinhos com as mãos, quando os chuveiros também se rebelam e começam a soltar água todos ao mesmo tempo. Schneider é então amarrado pelas cordas no encanamento e tem a sua roupitcha de couro rasgada, deixando-o peladão. Agora é a vez das toalhas criarem vida, saírem voando e chicotearem(!) o treinador na bunda(!!) fazendo a mesma ficar toda vermelha(!!!). Logo aparece o nosso bom e velho Freddy e dilacera as costas de Schneider em uma cena muito bem feita. Tirando a poupança do cara, lógico.



Falando no diabo, você deve estar perguntando porra Aurrai, como é que você me escreve um artigo sobre um filme do Freddy Krueger e não diz nada a respeito dele? Bom, a verdade é que o vilão é menos do que um coadjuvante aqui, alguém que não tem nada a ver com nada e que parece ter sido colocado no filme errado. São tantas cenas com o Jesse acordando suado e de cuequinha, cenas com Grady e bobeiras em geral, que não sobra tempo para o maníaco dar as caras da forma que merecia. A bem da verdade, ele só vai fazer diferença mesmo lá para o final do filme quando se materializa no mundo real em uma festa de piscina na casa da Lisa na qual sai esquartejando geral. Menção honrosa para o cara que tenta argumentar com o Krueger como se fosse um negociador da S.W.A.T. e também leva faca. Pense bem, quem em sã consciência tentaria conversar com alguém todo queimado que está esfaqueando quem vê pela frente e criando incêndios sobrenaturais?



Ah, o sobrenatural, estava quase me esquecendo. Além de toda a baitolagem constante nesse filme e do Freddy Krueger ser um personagem deslocado em relação aos outros títulos da franquia, este capítulo da série se diferencia por inserir completamente os fenômenos inexplicáveis no contexto da história. Está certo que a própria idéia de um assassino que mata as pessoas através de seus sonhos já é por si só suficientemente sobrenatural, mas dessa vez passaram dos limites. Para começar, há uma cena ridícula envolvendo a família Walsh na qual Jesse, ao checar a gaiola de pássaros, nota que um deles está morto enquanto o outro pira e sai voando pela sala atacando a todos até simplesmente entrar em combustão espontânea! Isso mesmo! O periquito se desintegra em meio as chamas e as suas penas caem ao redor. Fora que um pouco antes de Jesse visitar o tal bar gay, ele dá um pulo na cozinha e um raio cai pela janela ao lado dele diretamente nos pratos da pia. Aqui, as coisas tem uma estranha mania de se incendiarem ou explodirem. Salsichas explodem, latas de cerveja explodem, aquários explodem, lustres explodem, torradeiras pegam fogo, portões se trancam sozinhos, grades e uma piscina sofrem um aumento considerável de temperatura e criaturas infernais são avistadas. Sem contar que em determinada parte, Freddy não usa sua clássica luva de navalhas tendo as mesmas embutidas em seus dedos. Em resumo, vira zona.

Sim meus amigos, não sei se é aquela porra daquela "Regra dos 15 anos", mas sei que foi muito, mas muito estranho rever este filme depois de tanto tempo. Quanto aos outros, reitero, continuam ok e nem é preciso perder tempo em falar tudo o que vocês já sabem, mas dessa vez foi necessário. E olha que faltou muita coisa a dizer a respeito dessa baitolagem. Sugiro que vejam vocês mesmos para comprovar. Enfim, este filme não é de todo ruim, a cena da piscina vale a pena, e como eu disse que não surto por causa dos guerreiros do lado rosa é melhor deixar como está. Mas que esses elementos ficam totalmente estranhos em uma obra representante dessa categoria, ficam.

É isso. Boa noite e até a próxima aqui no Ninho da Mente.

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